domingo, 16 de setembro de 2007

medo

big brother is here, looking at you, kid.

depois torcem o nariz à sugestão de fuga para o mato. tsc.

não decida agora. espere aí uns anos, mas fique atento.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

as sortes do dia

passolavrar e reconhecer pés (longos, curtos)
sibilante ergo, suma constante (velar)

direcionadas coníferas em globo e apêndice (destro)
horizonte imaginativo onde mora o que se furta (de soslaio)

vale-se do sal, vinte e três (e onze)
de lupino salto, palatável rastro (prévia).

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

eu tenho saco

clique-me!

não vou comentar demais, o link acima é (quase) suficiente para o que quero dizer.

só mais uma coisa: por favor, por favor mesmo, vamos parar de aceitar sacos plásticos nas lojas e supermercados? tenho um monte de sacos aqui em casa! preciso comprar sacos pequenos de lixo? não. preciso ganhar mais sacos no supermercado? não. posso levar os excedentes pro posto de coleta de plásticos do pão de açúcar? sim. posso comprar uma ou mais sacolas de pano para levar às compras? sim!

vamos lá, é muuuuuuito simples. mais simples que isso somente apagar as luzes, fechar a geladeira, tirar os eletrodomésticos do stand by, ajudar o comércio local, ter coragem de soar chato e por aí vai.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

pli selon pli

quando escrevia no linguado sobre o natural, quando escrevi aqui sobre pôr os pés no chão, não quis dizer que nunca nós humanos devíamos ter-nos afastado do selvagem.

primeiro: minha crença e, para todos os efeitos, religião (por que não?) reside na proposição de que nunca nos afastamos da natureza: estamos nela e somos ela também.

segundo: já dizia spencer brown que "o nosso conhecimento do Universo supõe ao mesmo tempo familiaridade e estranheza; ele supõe o nosso exílio".

até onde deve ir esse exílio, qual é o limite para que não haja desligamento total? bem, acredito em uma constante espiritual que determina iterações num espaço de fase que nada mais é do que a evolução da nossa consciência como um sistema. embaralhou? explico: tenho fé (sim, ) que um possível limite de afastamento está próximo, que será recuperado sentimento de pertencer ao meio; esse movimento de dobra em cima de outra dobra é o que prenunciam os novos paradigmas.

minha fé não aponta para uma força divina, mas um atrator estranho que engloba todo o aparente caos-acaso das relações entre os componentes desse sistema universo. quanto mais caminhamos para o desequilíbrio, mais emergem padrões que contêm o desenho da totalidade do mundo, mais abrigamos sinais de que nosso ambiente não é em volta, mas em tudo.

voltando às palavras e ao seu exercício: dobras que contêm as dobras do mundo, a meu ver. aplico aí minha parte da constante espiritual e tenho um senhor prazer nessa atração estranha.

domingo, 12 de agosto de 2007

autorigem

já tive muito o hábito de remeter minhas sensações a algo que não está presente. assim: via/ouvia alguma coisa que me fazia sentir algo que eu mesma relacionava a uma outra coisa, que seria a original. aquilo que despertou a sensação seria apenas um intermediário. a coisa original era sempre algo fora do meu alcance, e sentia que, se conseguisse alcançá-la, teria a mesma sensação, porém com mais legitimidade.

acho que existe uma tendência mesmo à representação, a colocar intermediários em percepções, sentimentos, sensações, etc.

pois já tem um tempo que quero fazer a experiência de legitimar o que sinto como sendo o "original". e sem especulações intelectuais sobre tal atitude ser a certa ou a melhor ou algo que o valha.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

grounding

o chão é composto por várias partes, nem todas embaixo dos pés. não possui a chanura aparente de pisos e tábuas corridas.
o chão que piso, aquele em que sinto meu pé pisar, está à beira do desequilíbrio. organiza-se, no entanto, dia após outro, sistemática porém não linearmente com seus canais de circulação, os muitos objetos e os verdes e vinhos, a mirada larga lá para fora. complexifica-se. as dobras da amoreira, da bananeira, o composto, o gramado, tudo isso é chão também. piso com pés, mãos, olhos, nariz. a estante quase invisível de tão presente. estas palavras sem o cuidado que merecem. querem comunicar o chão, mas não representar. ele se percorre todos os dias no fundo dos olhos, dos pés, das mãos e do nariz.
espero que ele se abra, que sofra uma cisma e que vire uma fenda e mil pedacinhos entre a solidez de paredes ainda fortes. e que a fenda, de maneira emergente, abrigue muitas pessoas e muitas coisas e os fragmentos sejam altamente digeríveis.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

palavras de silêncio

ontem, um dos interatores deste e do antigo blog me deixou um scrap com a seguinte mensagem:

Aliás, eu gostaria de dizer que apesar de não me identificar com esse aspecto, admiro profundamente tua necessidade (e disciplina) de exercício permanente e sistemático da língua, mesmo que sem nenhum propósito definido.


com a ajuda do glorioso wittgenstein, a quem fui recentemente apresentada, comecei a suspeitar qual seja o tal propósito. não o acho indefinido. o comentário de meu amigo foi completamente pertinente, mas a verdade é que, embora já tenha explicado tal propósito algumas vezes, lendo sobre o witt ele ficou bem mais claro. já havia resolução, porém pouca definição. agora, explico assim: o modo de funcionamento do mundo está impresso na linguagem, mas não é, acredito, expresso por ela. a prática da escritura é então, sublinhe-se (isto é importante!), pra mim, praticar vida, intra-agir com o mundo, malear o mundo.