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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

dores de crescimento

sou tão distraída hoje em dia. será que maturidade é, na verdade, concentração? às vezes digo umas coisas sem pé nem cabeça ou tenho opiniões equivocadas porque ignorei algumas variáveis importantes completamente, ou por ansiedade. ou será que inteligência é concentração? atenção é muito importante. perceptividade (pensei nisso no fim de semana). sou perceptiva para algumas coisas e outras me são quase invisíveis. na verdade, hoje acho que não percebo quase mais nada, vivo num equivalente menos infantil do mundo da lua. quando dizem que uma criança vive lá, é porque se esquece de escovar os dentes, tropeça nas coisas, não ouve o que a mãe diz. ou seja, ligo a expressão a essas reprimendas de adulto; umas razoáveis, outras não.
e hoje vivo no mundo w', digamos assim. é o mundo atual, com o mesmo repertório, porém a mobília está numa fase meio autista. analogias forçadinhas à parte, o irônico é que durante brincadeiras resgatadas da infância ou conversas sobre os modos da outrora escatológica pequena pessoa que fui me sinto menos distraída, menos nesse "mundo da lua" em que enfiam as crianças. elas estão ligadas, sim. muito enraizadas. lidam com as coisas assim que elas aparecem, mesmo que às vezes de maneira alegórica. nós adultos indulgentes sempre deixamos as coisas pra depois e lidamos com seus fantasmas. argh.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ranting & raving

às vezes gosto de pensar que não sinto raiva facilmente. mas isso é auto-engano. exemplo: basta que alguém seja condescendente comigo ou outra mulher por causa da aparência ou de estereótipos para que me fervam os nervos.
não é engraçado: já duas vezes em matérias do mestrado os professores me olharam confusos no primeiro dia de aula e vieram perguntar se eu era aluna do mestrado em filosofia (leia-se: você está na sala certa?)... posso estar exagerando, mas uma pulga atrás da orelha direita me convenceu maliciosamente de que os professores em questão não só ficaram desconfiados pois suas classes eram masculinas demais para ter uma aluna como também pelo fato de que não sigo o estereótipo da mulher intelectual.
e como ele se caracteriza? bom, em linhas gerais, dá pra perceber que há um acordo tácito segundo o qual mulheres inteligentes não se preocupam com a aparência. daí deriva o resto: nada de maquiagem, nada de usar lentes (só óculos são dignos), nada de salto, nada de roupas e bolsas caras. para maiores angústias quanto à baixa cotação da moda no mundo intelectual, clique aqui.
o caso é que possivelmente fico muito incomodada também por já ter tido esse preconceito, em alguma medida. que vergonha.

por outro lado, tudo isso, raiva ou não, provocou um rearranjo na minha auto-imagem. o que, noves fora, significa mais ou menos o seguinte: faço mestrado em filô do mesmo jeito que o zé pratica canoagem ou a mariazinha processa dados: é um trabalho. tem técnica. tenho gosto por ele, mas não quero que me defina sozinho. tem outros aspectos da vida que considero e sinto que são tão relevantes quanto esse: afeto pela minha família e amigos, senso estético, paladar, senso de humor, impulsos, razões, estratégias... enfim. deu pra ter uma idéia, acho.

e o mesmo vale para outras pessoas.

e assim admiti que tenho um pouco de preguiça de intelectualidade segundo o grande livro dos estereótipos. e assim me desobriguei totalmente de cultivar certas coisas que não me instigam tanto assim mas que são consideradas obrigatórias pelos corredores da unb. e agora só preciso me convencer 100% de que estou certa, pois toda essa estória está me atrapalhando os estudos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

astronomy domine... anima mea

retorno de saturno. aparentemente, estou nele.
não sei bem o que acho de astrologia, mas "retorno de saturno" soa. combina com "retumbante". soturno. estorno. saturo. estouro. noturno. ressalto. costuro.
então se for verdade que umas constelações me estão pirando os nervos, podem ser de estrelas ou palavras em forma de som.
estive hoje comentando: o que tem gosto bom não tem nome feio: camomila, erva-doce, sálvia, alecrim... mas o que tem gosto ruim, sim: boldo, carqueja, mastruz, cáscara...
então não se elimina o acaso. acredito muito na sinestesia. mais do que nos astros.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

tableau!

imagino se o manuel bandeira estava a falar de lógica quando pôs esse nome num poeminha (sim, no diminutivo. reclamações: dirija-se ao balcão).
nah. ele não era assim um joão cabral.
bem, eu adoro fazer tableaux, são excelente sucedâneos a palavras cruzadas em viagens. estou em campinas, viagem de ensejo conjugal-afetivo, num quarto de hotel, furiosamente provando teoremas mais facilmente prováveis do que a fatalidade da solidão para mulheres acima de 40 anos, tentando pensar em como tornar este blog algo mais respeitável.
já não faço mais semi-literatura, não porque "mãe, não consigo!", mas porque não quero.
mas as coisas que gostaria de contar sobre meu dia ainda não ocorreram; as coisas que gostaria de explicar, ainda não as entendo bem o suficiente; o estilo que gostaria de usar nesse novo rumo de escrita, ainda não o desenvolvi e, por fim, ainda não acabou-se o ano: e como isso faz diferença.
nunca antes estive tão ocupada, nunca fui tão pouco gazeteira, embora ainda o seja em intensidade preocupante.
e que isso melhore. e que este blog tenha menos e menos posts a não ser que sejam do tipo semi-tacitamente descrito acima. nesse caso, que tenha vários.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

platitudes supostas...

"I would never die for my beliefs because I might be wrong."

Atribuído a Bertrand Russell.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

rabugices de 6 da manhã

Today's fortune: The heart is wiser than the intellect

talvez esse tipo de frase não só me dê calafrios como seja um dos problemas que enxergo no modo de falar analógico. não cabe ao coração ser sábio, afinal, "sábio" costuma ser característica atribuída a pessoas completas e com aparelho cognitivo, memória, capacidade discursiva etc. mas esse não é nem o primeiro porém que faz travar esta que aqui arenga. o que se quer dizer por "coração"? as emoções, suponho, ou algo que o valha. pois bem, é engraçado, mas usar o coração para unificar as emoções é algo que não puramente satisfaz uma necessidade de simplificar o discurso mas também acaba por unificar o que, creio, são coisas diversíssimas e numerosíssimas. as emoções, ainda (ou o que as valha). não acho que seja possível fazer essa unificação sem problemas. não sei bem quais são os problemas (nem mal). mas acho suspeito. me cheira como mais um dos buracos que a linguagem analógica tenta tapar, ou fazer parecer preenchidos por uma certa perspectiva, um jogo de espelhos e lentes... nesse ponto, é claro, me vejo mais uma vez usando o próprio recurso que é objeto das minhas rabugices. quero entender melhor diferenças entre metáfora, analogia, alegoria, ironia, metonímia etc. tenho alguns pontos de partida. ah, importante: aqui no blog NÃO estou fazendo filosofia nem teorizando sobre a linguagem, APENAS descarregando pífias representações, às vezes mais, às vezes menos, cifradas de emoções difíceis de se classificar e que não concordam com a sorte do orkut. esta rabugice não é nem um pouco mais sábia do que o intelecto. aliás, acho que tampouco faz sentido dizer que o intelecto pode ser sábio, por motivos similares aos opacamente esboçados ali em cima. enfim, são 6h20 da manhã e preciso terminar um trabalho.