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terça-feira, 25 de setembro de 2007

buoyancy

naquelas revisões de perfil do orkut motivadas por circunstâncias que uma dama não comenta, resolvi colocar alguma coisa bem-humorada porém com uma dica da realidade no campo "ideal match". pois bem. que fiz?
– fui à wikipedia.

já havia uma vez navegado pelos verbetes relacionados a amor, há uma série deles. uns bons minutos ou até horas se pode passar só de tópico em tópico; alguns deles eram inimagináveis para mim: limerence, office romance, romantic friendship, além dos já investigados platonic love, spiritual marriage e courtly love.

onde encontrei o que procurava para preencher a lacuna orkútica?
bem, como sempre, na auto-referência, ou melhor, num movimento mesmo especular que se volta não à minha imagem mas a este palavrar específico assomado plurabelístico e àquilo que ele conta. sim, neste post.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

pli selon pli

quando escrevia no linguado sobre o natural, quando escrevi aqui sobre pôr os pés no chão, não quis dizer que nunca nós humanos devíamos ter-nos afastado do selvagem.

primeiro: minha crença e, para todos os efeitos, religião (por que não?) reside na proposição de que nunca nos afastamos da natureza: estamos nela e somos ela também.

segundo: já dizia spencer brown que "o nosso conhecimento do Universo supõe ao mesmo tempo familiaridade e estranheza; ele supõe o nosso exílio".

até onde deve ir esse exílio, qual é o limite para que não haja desligamento total? bem, acredito em uma constante espiritual que determina iterações num espaço de fase que nada mais é do que a evolução da nossa consciência como um sistema. embaralhou? explico: tenho fé (sim, ) que um possível limite de afastamento está próximo, que será recuperado sentimento de pertencer ao meio; esse movimento de dobra em cima de outra dobra é o que prenunciam os novos paradigmas.

minha fé não aponta para uma força divina, mas um atrator estranho que engloba todo o aparente caos-acaso das relações entre os componentes desse sistema universo. quanto mais caminhamos para o desequilíbrio, mais emergem padrões que contêm o desenho da totalidade do mundo, mais abrigamos sinais de que nosso ambiente não é em volta, mas em tudo.

voltando às palavras e ao seu exercício: dobras que contêm as dobras do mundo, a meu ver. aplico aí minha parte da constante espiritual e tenho um senhor prazer nessa atração estranha.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

palavras de silêncio

ontem, um dos interatores deste e do antigo blog me deixou um scrap com a seguinte mensagem:

Aliás, eu gostaria de dizer que apesar de não me identificar com esse aspecto, admiro profundamente tua necessidade (e disciplina) de exercício permanente e sistemático da língua, mesmo que sem nenhum propósito definido.


com a ajuda do glorioso wittgenstein, a quem fui recentemente apresentada, comecei a suspeitar qual seja o tal propósito. não o acho indefinido. o comentário de meu amigo foi completamente pertinente, mas a verdade é que, embora já tenha explicado tal propósito algumas vezes, lendo sobre o witt ele ficou bem mais claro. já havia resolução, porém pouca definição. agora, explico assim: o modo de funcionamento do mundo está impresso na linguagem, mas não é, acredito, expresso por ela. a prática da escritura é então, sublinhe-se (isto é importante!), pra mim, praticar vida, intra-agir com o mundo, malear o mundo.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

auspinícios

venho oficialmente abrir este blog com a notícia de augúrios e sinais piscapiscantes.
ontem, 25 de julho, data do aniversário de 3 anos de meu antigo blog, cheguei da chapada dos veadeiros cansada, empoeirada, saudosa (de lá) e recepcionada por um pacote da amazon. recebi, finalmente, a cópia que pedi do livro meeting the universe halfway, de karen barad.

os principais leitores do antigo blog votaram pela manutenção da ordem de comentar sobre quaisquer assuntos e inserir textos literários de quando em vez. pois acato a opinião do público e passo a atribuir marcadores para agenciar as postagens. creio que, de acordo com minhas inclinações transdisciplinares, o ideal seria simplesmente não classificar nada – mas gosto de organização – e por isso tentarei criar marcadores não-compartimentalizantes; por isso, usei o verbo agenciar.

o que me leva de volta a karen barad. delícia de livro que já anuncia nos começos: usam-se por aí analogias para validar conceitos com pouco fundamento. além de pensar, com auxílio do texto, em exemplos como os filmes o segredo e quem somos nós ou, ainda, em instituições como a pró-vida e a cientologia, que usam esparsamente conceitos (falhadamente) científicos para justificar comportamentos de auto-ajuda, também pude ver como utilizei o mesmo mecanismo no antigo blog. muitas vezes, analogizei para fundamentar um comentário. olhando com os olhos de dentro, creio que o fiz em nome da proposição de gregory bateson que diz que a metáfora é a linguagem da natureza... extrapolação? acho que sim. metáfora e analogia não são a mesma coisa. parece que usei as duas, piscapiscando. desejo para este blog que um exercício seja feito de agenciamento de idéias por meio de um mecanismo ainda desconhecido (dele, só sei que não é analógico). por que falar sobre isso na primeira postagem? esse mecanismo e suas evoluções serão pra mim muito importantes, já que, em todas as frentes que me interessam, quero abusar da transdisciplinaridade. isso implica entender melhor a proposta de bateson, o alarme de karen e uma organização aparentemente pessoal, porém não individual, que me pôs neste caminho.

não é difícil perder de vista a vontade-motor das idéias que já me surgiram e surgirão, a vontade muito benfazeja de integração, de ecologia não só da mente, mas profundamente total. a autocrítica, assim como as metas muito elevadas, frequentemente me põem a questionar a validade de tanta pensação, de tanto acúmulo de informação, dessas inclinações polimáticas perigosamente vizinhas à vaidade que me acometem. o que estou fazendo ao escrever neste blog, enquanto poderia estar ensinando princípios básicos de bem-estar a crianças pobres? quero acreditar que me preparando pra algo que, neste caminho, vai surgir, e será talvez um esclarecimento maior desses porquês, será confluente com a (margem da) corrente pensatória em que nasci e vivo.

de qualquer maneira, é só um maldito blog.

(inserir linha de comando a la abracadabra)