terça-feira, 4 de março de 2008

oráculos do dia

57. sun/a suavidade (o penetrante, vento)

representa a filha mais velha e simboliza vento ou madeira. tem como atributo a suavidade, que é penetrante como o vento ou como a madeira em suas raízes. o princípio da escuridão, em si mesmo estático e imóvel, é dissolvido pelo penetrante princípio luminoso ao qual, com suavidade, se subordina. a qualidade penetrante do vento depende de sua constância. o tempo é seu instrumento. a ação repentina apenas assusta e provoca repulsa.

42. i/aumento

este período é semelhante a um casamento entre o céu e a terra, quando a terra participa da força criadora do céu, dando forma e concretude aos seres vivos. quando um homem recebe uma grande ajuda vinda do alto, deverá fazer uso desse aumento de força para realizar uma obra igualmente grande. em outras circunstâncias ele não teria nem a força necessária para assumir as responsabilidades implicadas num tal projeto.

[evolução do oráculo]


20. kuan/contemplação (a vista)

por um lado, contemplar. por outro, ser contemplado. hexagrama relacionado com o oitavo mês (setembro/outubro). o ritual de sacrifício na china começava com uma ablução e uma libação, com que se invocava a divindade. em seguida se oferecia o sacrifício. o lapso de tempo entre as duas cerimônias é o mais sagrado, o momento de suprema concentração interior. da contemplação emana um poder espiritual oculto que influencia e domina os homens, sem que eles estejam conscientes de que isso ocorre.

domingo, 2 de março de 2008

definitely, consistency

engolir a tônica.

em tentativa, seguir o ar robusto cujo nome, dele, nada diz.

órbitas fora de esquadro:
– a turgescência, colecionadora de submundos;
– o indistinto, condensador de superfícies.

transfiguram-se-lhes arestas, afiar amostras de cinzenta honestidade. em contrapostos, descompassos e transgressos.

nos entremeios dos fios de cinza, mentes eqüimateriais. mensurável, continuamente, a constante eqüidistância; escolhida, ensaiada, registrada.

(tentative title)



de um modo

espaço tomado por azul adelgaçante

silencioso

militimbrado


(reprise)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

a terra azul da cor de seu vestido

ontem, voltando pra casa, vi lá no horizonte provavelmente o que vejo com frequência mas cometo não notar. um 'bosque' reflorestado, daqueles de pinheiros, homogêneos e escuros. quando eu era criança, chamava isso de beleléu. os primos viajávamos com os nicolaus e íamos no caminho nomeando algumas coisas e paisagens. as florestas de pinheiros são os beleléus, mas ainda havia outro tipo, o cafundéu, que era composto por outro tipo de árvore. não sei qual, mas também dessas que repovoam espaços por aí.
fiquei olhando pro beleléu, aquela coisa longe e compacta meio verde-azulada, escutando clube da esquina, pensando nas coisas melhores do mundo. mas dizer isso, pensando bem, é uma metonímia, ou pode ser. parece que é substituir a mente por mundo. enfim, o beleléu é uma dessas coisas melhores da minha cabeça-mundo, daquelas que não sei bem como transplantar pra outras cabeças. e não pude escrever, do beleléu, metaforicamente como costumo fazer aqui, em forma de cifras, talvez porque quisesse ser prosaica como essa lembrança. mas ainda tem mais. na hora, pensei em estar no alto, olhar pro longe, escutar música de altos e longes e ao mesmo tempo de chão e proximidade. que era bem aquele olhar pro beleléu. e quando era criança, "ir pro beleléu" queria dizer morrer, ou sumir. eu tinha muito medo da morte, sonhava até com ela, tinha insônia. mas o beleléu era, quando passava pelo nosso carro na estrada, uma figura sofisticada na mente-mundo-criança, uma morte bastante mais metafísica. tinha fascinação por me perder do espaço comum, transitar pelos submundos mentais que se afastavam proporcionalmente ao deslocamento do carro ou das horas da madrugada, das páginas dos meus livros de criança, todos os meus movimentos experimentais primeiros.
e agora? parece que todas essas impressões ficaram, duvidosas, numa espécie de sudário dessa mente que só meta-morre, que se vê, volta e meia, às voltas e retornos, saídas e bandeiras com gosto de sol azul escuro.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

enovelar, anuviar, entretecer, emaranhar

engraçado que a música rara seja feita de tanta densidade. até as mínimas manifestas em longos intervalos, intercalantes. algumas, areia de regresso, outras, topografia de mobilidade. no ar, coluna que carrega, ainda, curioso, massa de quase-nada, a ânsia pelo inteiro. haru.

mono. sai de gorgorejantes e gotas aguagrandes, em burburicantes analgas até aportar aos trovejares.

(aborrecer?)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

pequena homenagem a vários músicos: alice coltrane, keith jarrett, erik satie, lyle mays, glenn gould

teclas em constante edição, usadas com propósitos que já se sabem débeis desde o início: entrar em mínima consonância ou até compasso tátil com outras longes e várias teclas. aproximar-se além do impalpável. fazer desenhos correrem por entre linhas e outros espaços correspondentes a padrões de interferência. se fazer interferir, isso sim, com as teclas. tentar promover a própria palavra tecla a possibilidade poética. não saber por onde ir para esconder os nomes eles próprios sem cifras.

enfim, desenrolar (ou confundir) as teclas em cordas
em caixas
em sopros
em correnteza
em passos
em estalos

até deixar assentar, até quase dormir.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Resumo do Figo.

Segundo me apareceu um Francisco, em des-língua:

Um figo, ao se mover, cada vez mais se encarna.
O moto permite, assim, ao figo, que se materialize quanto mais é lavrado.
O moto engoliu a flor querendo ser figo.

Nem mimosa nem mimese, re-sumada, posta em movimento, ressuscita, a-sumo.
Recorpórea e des-frutada, a passos recursivos, des-comida, re-saboreada.

Assim a metapalavra figo, conforme des-disse Francisco.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

e as folhas que são verdes tornam-se em cinza

E assim é que equanimidade em que fingi acreditar foi quebrada. Facilmente, como se previa, cúmulos, ruídos. Por longos cordões de escuridão. Pelas áreas que cobrem. Longas, compridas. Extensões de terreno cercado, as entradas se movem e querem ser saídas e entradas e saídas e não se decidem.
Quem sabe o apelo do cinza seja também assim vasto. Espero que seja signo. De imposição. De firmar empunhadura. Talvez passagem encruzilhada.
Voltar para casa no pisar do chão, frio de armadura.
Mas não falha, nunca, não há meio, aquele núcleo dos movimentos circulares de modo que se torna sempre a fonte de iluminação.